Sense8 – 2ª Temporada | Crítica

A série que prometia ser a redenção das irmãs Wachowski em 2015, voltou para seu segundo ano com uma ambição muito grande, que passou longe do seu potencial por trabalhar mais em abraçar a minoria e como dizem por ai, fazer seus personagens “lacrar” enquanto a essência foi deixado para trás.

Sense8 ganhou popularidade rápida ao promover uma mensagem de igualdade e compartilhar a importância da aceitação social, dessa forma conquistou um fandom enorme. Enquanto a primeira temporada conseguiu desenvolver os personagens de forma que grande parte dos fãs se identificavam com eles, torciam por eles na situação de perigo, e um mistério ia se materializando por trás das tramas dos personagens. A segunda temporada precisava continuar agradando o fandom criado pela abordagem diferente, mas ainda assim desenvolver todos os outros pontos deixado em aberto.

A história de oito pessoas com capacidade se conectarem e até colocar-se no lugar do outro tinha um potencial incrível e diversas formas de trabalhar com esse tema, mas foi escolhendo uma decisão equivocada de não abraçar a “ficção científica” e acabar indo para o lado da “conspiração” e transformar a série em uma grande brincadeira de “esconde-esconde”. A segunda temporada se resume em, o vilão indo atrás dos Sensates e os Sensates indo atrás do vilão. Mesmo com a tentativa de melhorar as tramas individuais, o roteiro desequilibra as narrativas mais importantes ao tentar deixar a série maior do que deveria ser e até maior do que são capaz de transformá-la. Além de escolher caminhos curtos e preguiçosos de resolver um conflito e causar impacto no espectador.

Enquanto ao levar a série para um lado mais humano o ganho é perceptível, trabalhar com um pouco de material científico a série regride a qualidade, principalmente por ter obrigação de explicar tudo para o espectador. Com diversas cenas introduzidas para explicar e mostrar o mistério criado, trocando diversas vezes para o passado e presente com o intuito de deixar claro para o espectador tudo o que está acontecendo. Além de não confiar na inteligência de seu público o roteiro é preguiçoso ao ponto de colocar diversas alternativas para facilitar as coisas, como por exemplo os diversos sensates de outros grupos introduzidos na nova temporada.

Sense8 é uma série que agrada a comunidade LGBT, seja com um discurso de Lito na parada gay em São Paulo ou no caso de Nomi sendo defendida por seu pai no casamento de sua irmã que estão ali para mostrar igualdade entre géneros, e nada mais. Enquanto a trama principal é adiada ainda mais para o final da temporada. Este tipo de discussão é importante para a série, a final de contas, foi assim que Sense8 começou a ser comentada, mas isso não carrega a trama da temporada, muito menos é focado apenas nisso.

A série tenta caminhar entre dois caminhos, apelar para o lado humano e trabalhar com ficção científica. Enquanto a mensagem de que rótulos são apenas rótulos é feito da melhor forma possível o outro lado explorado é desorganizado e equivocado ao tentar dar explicação de mais e transformar um roteiro com grande potencial em resoluções preguiçosas e mau produzidas.

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Por Gabriel Stuchi

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