Master of None – 2ª Temporada | Crítica

Entre as produções mais populares da Netflix em 2015, Master of None se destacou por seu jeito simples e inteligente de mostrar o cotidiano de uma vida adulta e ganhou espaço entre os títulos mais populares entre os assinantes e a pela crítica. A cada nova produção do serviço de streaming, entra para a lista de melhores para o público, mas não significa que para a crítica seja da mesma forma, e a cada nova série é sempre a mesma história, “estreou a melhor série da netflix”. Master of None não chega com vontade de ser a melhor série do ano, mas tem um potencial para ganhar um destaque entre todos os melhores títulos.

O segundo ano retorna com alguns episódios dirigidos e escritos por Aziz Ansari, além de ser o protagonista da série. O comediante retorna com a série sobre o cotidiano e os perrengues da vida adulta mesclado no seu personagem e em seus amigos com seriedade, mas sem deixar o tom cômico de lado. Ansari anteriormente conseguiu fazer um bom trabalho tocando em temas importantes sem ser algo simples e sempre presente em nossa vida, que nos colocamos juntos aos personagens ao vivenciar aquilo, e dessa vez, não é nada diferente. Toda a ideia de ser uma reflexão sobre nossa vida funciona perfeitamente quando nos colocamos junto aos personagens novamente.

É visível a evolução na capacidade de Ansari em transmitir a mensagem que deseja. A capacidade de experimentar formatos e discutir temas é um grande mérito do comediante e um grande ganho para a série, sem dúvidas um amadurecimento para uma série que ainda tem muito que oferecer para os espectadores. A forma brilhante de problematizar e criticar assuntos que poderiam soar repetitivos, são bem feitos ao utilizar pontos perfeitos de alívios cômicos.

Master of None é uma série sobre a vida, mesmo quando utiliza o fato do próprio criador fazer parte de um grupo minoritário nos EUA ou tratar sobre racismo, desigualdade ou homofobia, o roteiro faz mais um trabalho perfeito em aproveitar a situação que pode ser vivida por qualquer espectador, seja ele parte ou não da minoria retratada na série. Isso faz da produção especial, conversar com o público dessa maneira é o caminho mais fácil para o sucesso. Diferente de uma sitcom americana, MoN não é o tipo de série que te fará rir com tudo e toda hora, mas te fará rir nos momento exatos, nos momentos que você poderia rir se estivesse presente naquela situação.

O destaque da série fica para o sexto episódio, “New York, I Love You”, com direção de Alan Yang, co-criado da série, que mesmo trabalhando com personagens nunca antes vistos, ele consegue criar pequenos curtas de pessoas enfrentando problemas pessoais diferentes em situações engraçadas e se transformando em uma coisa só no final. A sacada de tirar todo o áudio da filmagem na parte do “curta” da garota surda é uma experiência imersiva diretamente para o público. Sem contar uma discussão entre namorados apenas em linguagens de sinais, é de tamanha genialidade que só é possível quando os autores possuem o controle total da produção nas mãos.

Master of None pode não ser reconhecida como a melhor série da Netflix, mas é uma ótima opção no catálogo. Disposta a te fazer pensar em temas importantes que se não estão hoje, estarão no seu cotidiano nos próximos anos. Atual e despretensiosa ao debater temas importantes e ser tão honesta com seu público que esse é o tipo de série que te fará pensar sobre sua vida.

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Por Gabriel Stuchi

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