Castlevania – 1ª Temporada | Crítica

As adaptações de games no cinema sofrem bastantes com suas más adaptações, mesmo os filmes recentes não conseguiram agradar o público base e nem mesmo alcançar um grande número de pessoas novas para esse tipo de conteúdo. É complicado adaptar videogame quando a margem de sucesso parece ser tão grande, principalmente agora que algumas adaptações de livros e quadrinhos conseguem marcas absurdas até mesmo comparados a um roteiro original.

De fato, adaptar outras mídias é bem comum a algum tempo, enquanto, mesmo que ocorreram adaptações de jogos antigamente, isso ainda é um pouco novo para a indústria do cinema, ainda mais se tratando de um gênero de filme que nunca conseguiu emplacar um título de sucesso entre os demais, adaptar um game no cinema ainda é uma tarefa complicada.

A Netflix decidiu adaptar um game bem conhecido e uma franquia pouco explorado em outras mídias, mas dessa vez em formato de série animada. Sendo a primeira produção original de um anime (no caso de outros títulos, a empresa é responsável apenas pela distribuição internacional e assim os títulos acabam ganhando o prazer de ser original Netflix) a gigante de streaming aposta em um universo vasto de possibilidades de adaptação, mas ainda fica com um pé atrás por se tratar de um produto “novo” em sua lista de produções originais.

Produzir conteúdo novo e diferenciado nunca foi um problema para empresa, principalmente com os títulos recentes causando diversas discussões importantes utilizando o entretenimento para levar isso para dentro dos círculos de pessoas. Claramente está nova aposta da Netflix soou como um teste para conhecer melhor seu público e se é possível fazer esse tipo de conteúdo sem ser um desastre como no cinema.

Uma temporada curta, com apenas 4 episódios, foi uma boa escolha para testar o público, porém a decisão narrativa dos episódios fizeram com que a primeira temporada seja curta para mostrar pouco do melhor que a franquia Castlevania pode oferecer. Somos introduzidos a um universo que pode ser rico em conteúdo, mas no momento que seremos recompensados a ter assistidos até aquele momento, o anime chega ao final da temporada.

A série adapta o terceiro jogo da franquia, Castlevania III: Dracula’s Curse, um prequel dos dois primeiros títulos da franquia, protagonizada por Trevor Belmont, último descendente de uma família de matadores de vampiros há muito tempo expurgados pela igreja. O jogo é de uma época onde a jogabilidade importava mais que a história do jogo e a série consegue dar uma profundidade a história comparando o período que o jogo foi lançado.

A Netflix arrisca em lançar seu primeiro anime original com uma classificação R (nos EUA, que equivale a classificação 16 anos no Brasil) e novamente reforça a vontade de atrair um público diferenciado para o serviço. Mesmo com algumas cenas pesadas que podem impactar o espectador, torna-se relevante, visto que o foco da série é o desenvolvimento daquele universo e mostrar o quão rico aquilo pode se tornar, ainda que limitando-se a apenas quatro episódios. Sem dúvidas a produção fez um bom trabalho com o roteiro e toda a parte da animação e desenho, mas pecou na tentativa de conhecer seu público e deixar a aparência de ser apenas mais um teste da empresa.

Quando a trama ia de fato pegar o ritmo e caminhar para o conflito real, já que os conflitos visto durantes os episódios foram apenas com os antagonistas da história até o momento, o conflito com o grande vilão foi deixado pra quando chegarmos na história do jogo. Mesmo como prequel, Castlevania funciona bem como adaptação de um jogo para a TV, porém não disponibilizar o restante da história torna a experiência muito incompleta, já que esperar a continuação (segunda temporada já confirmada) que provavelmente demore, pode tornar a série esquecível no meio do vasto catálogo da empresa.

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Por Gabriel Stuchi

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