O Mínimo Para Viver | Crítica

No dia 14 de julho, a Netflix lançou seu mais novo longa-metragem original O Mínimo Para Viver (To The Bone no original), dirigido e escrito por Marti Noxon (Grey’s Anatomy, Eu sou o Número Quatro) e estrelado por Lily Collins (Simplesmente Acontece).

O longa conta a história de Ellen – personagem de Collins – uma jovem que sofre de anorexia e, após 4 internações, sua família busca uma última forma de fazer com que ela se trate, colocando-a num lar de reabilitação do Dr. William Beckman, interpretado por Keanu Reeves (Matrix, John Wick).

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Esse é o primeiro filme de Noxon como diretor, que costumava exercer mais a função de roteiristas de filmes e séries, e nesse primeiro projeto, é possível ver um excelente trabalho de direção tanto de atores como no quesito de cinematografia, e uma narrativa muito bem construída que trabalha todo o ambiente do filme do começo ao fim. Existem pequenos pontos negativos sobre o filme em relação a como ocorreu a divisão dos três atos, tendo um segundo ato muito mais longo do que o primeiro e o terceiro, com um desfecho de aceitação da personagem pouco explicado em aproximadamente 20 minutos, mas passando uma excelente mensagem sobre o tratamento da anorexia e como isso afeta tanto aquele que sofre da doença, como as pessoas em sua volta e, muitas vezes, corrompe o sentimento de alegria em algo depressivo e devastador na perda, como é possível ver durante o meio do filme.

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A escolha do elenco do filme é um ponto alto para a história. Começando com os personagens secundários, que são muito bem desenvolvidos no desenrolar da trama e tem um ótimo equilíbrio para mostrar diferentes pontos de vista da doença. Porém, um dos personagens secundários que merece destaque é Luke, personagem que vive na casa de reabilitação que é interpretado por Alex Sharp, que em seu primeiro trabalho como ator, mostra um personagem excêntrico no qual você pode não gostar quando o vê pela primeira vez, mas ao desenrolar do filme, vemos que o personagem cresce e traz com ele a energia que completava o filme, e vendo a excelente química entre seu personagem e Ellen nos faz criar uma empatia por ele.

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O personagem de Keanu Reeves – que com certeza o nome de mais peso neste elenco, mesmo com Collins no protagonismo – não é o principal coadjuvante, mas executa seu trabalho muito bem, como o médico completamente não usual de Ellen. Seu personagem foi outra grata surpresa, quebrando a imagem habitual do especialista neste tipo de filme, trazendo inclusive um alívio cômico em determinados momentos.

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Mas o ponto chave do filme fica para Lily Collins e sua excelentíssima performance no longa. Collins consegue passar para a o filme todo tipo de emoção necessária, te fazendo se importar com seu personagem. Além de sua perda de peso para o papel, mesmo Collins já sendo muito magra antes, dessa vez ela é capaz de atingir um nível absurdo para este longa, e muitas pessoas fizeram comparações com a atuação de Christian Bale em O Operário, de 2008. O núcleo familiar da personagem é perfeito, e sua queda e ascensão durante a passagem do segundo para o terceiro ato do filme é espetacular.

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O mínimo Para Viver é um ótimo filme, que aborda a temática de distúrbios alimentares com muita eficácia, e nos faz se importar com seus personagens e apresenta usos técnicos interessantes e bem dirigidos para o público.

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Por Yago Cândido

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