Bando de Dois (2010) | Review

Produções brasileiras são muito comparadas com produções internacionais, principalmente conteúdos audiovisuais. Quando uma série ou filme produzido no Brasil chega ao mercado, logo existe a comparação da qualidade, texto, roteiro, direção e muitas outras, mas a verdadeira qualidade do produto brasileiro é deixado de lado. Muitas vezes por essa comparação boba ou simplesmente pelo fato de ficar na sombra das produções internacionais de alto custo.

O cenário brasileiro de história em quadrinhos é rico em artistas talentosos e com potencial gigantesco para ótimos trabalhos, mas infelizmente o mercado brasileiro ainda é muito pequeno e com pouco incentivo. O mercado de quadrinho ainda é muito focado em super-heróis por ser encontrado em bancas de jornais e livrarias e ser conhecido por qualquer consumidor comum, servindo assim como porta de entrada para a mídia.

Produtos brasileiros ficam bem na sombra desses conteúdos internacionais por ser feito de uma forma diferente e com pouca viabilidade. Muitos artistas buscam recursos via crowdfunding e o público comum de quadrinhos desconhece esse tipo de coisa, pois esses produtos não vão para uma Banca de Jornal. Diversos artistas buscam trabalhos fora do país, que é uma forma de trabalhar com quadrinhos sem precisar investir do próprio bolso ou contar com uma campanha no Catarse.

Fusi - Bando de Dois 2

Bando de Dois é um quadrinho perfeito para utilizar de exemplo e mostrar a qualidade dos produtos brasileiros, além de mostrar como os autores nacionais tem capacidade de criar uma história que não seja a mesma coisa de super herói de sempre. Danilo Beyruth conta uma história de ação utilizando seu conhecimento sobre Lampião e os cangaceiros do nosso sertão. Situada em Nova Nazaré, um lugar fictício onde Beyruth emula um cenário atual, mas utilizando um gênero específico para deixar uma crítica social em meio ao quadrinho.

O cangaço faz parte da cultura do Brasil e ainda foi pouco explorado, nesta mídia pelo menos. É possível retirar dali histórias muito boas, assim como Bando de Dois, mas não apenas isso, o autor beira o faroeste para buscar algo do Brasil e claramente prefere utilizar desenhos que retratem pessoas diferentes, mais reais. Longe de ser estilosos, bonitos e obviamente bonzinhos, Beyruth cria pessoas sujas e não apenas os personagens principais, mas todos presentes na história. Isso se deve pelo roteiro escrito e pensado para a revista retratar dessa maneira, explorando o quão sujas as pessoas podem ser ou se tornar em busca de uma vingança ou justiça com as próprias mãos. Neste cenário maravilhoso que o desenhista e roteirista cria para os piratas do deserto, Tinhoso e Caveira de Boi.Fusi - Bando de Dois 3A trama é simples e explora bem o drama humano diante de uma tragédia que o autor consegue contar em uma história de ação, utilizando ainda de críticas sociais em seus textos e desenhos. Com um traço original, sem dar a mínima para a perfeição e ainda assim alcançar um resultado excelente, trocar as cores pelo preto e branco deixam sua obra ainda mais original. Uma história digna de cinema e ainda sem perder a essência das histórias em quadrinhos.

Por Gabriel Stuchi

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