Death Note | Crítica

Death Note é um dos mais aclamados animes dos últimos anos e contém uma legião de fãs ao redor do mundo; e nessa sexta-feira (25), a Netflix lançou sua adaptação do projeto para o seu serviço de Streaming; e desde seu anuncio, muitos esperavam que o longa traria uma grande qualidade para uma adaptação de animes em geral; e vindo de diversas polêmicas desde o início até o final do lançamento da produção, que acabou se tornando um projeto fraco e falho em diversos aspectos.

Para os fãs mais antigos da série, muitos esperavam que os temas mais discutidos no anime fossem mostrados – como a mortalidade, o livre arbítrio e o ponto de vista do certo e errado em ambos os lados – junto a uma trama investigativa que envolve personagens muito bem adaptados e que emulam sentimentos altamente obscuros ao longo de cada episódio, mas tudo isso não acabou sendo o principal foco dessa adaptação.

A adaptação fica longe da obra original em diversos momentos da história, e apresar de discutir a respeito das decisões feitas por Light/Kira (Nat Wolff), Death Note não consegue achar um caminho para seguir e nem soube manter (ou até mesmo buscar) um tom que seja certo para a narrativa da história, que não consegue dar uma cara própria ao filme – diferente do anime, que conseguia passar em seus episódios.

A narrativa do filme se mostra rápida e despretensiosa, tentando acelerar a trama de um extenso (e bem feito) arco em 100 minutos (1 hora e 40 minutos) de filme. Em menos de 15 minutos de longa, o espectador é apresentado a diversos elementos clássicos de forma apressada e preguiçosa, com medo de se desenvolver mais a fundo e sendo repetida diversas vezes, deixando essas repetições desnecessárias ao pensar que a audiência não entendeu o que foi explicado anteriormente.

O roteiro e a direção desse filme se equivalem na maneira que a trama se desenrola. O roteiro do filme é fraco desde o começo, quando tenta estabelecer seus protagonistas sem ao menos mostrar uma verdadeira motivação por trás, seguindo muito dos clichês mais manjados como desculpas esfarrapadas, e tentando passar um pano por cima de outros motivos. Ao longo do filme, é possível ver como o curto tempo de duração do filme não favorece a história, cortando diversos fatos importantes para a trama e prejudicando a performance dos personagens.

A direção e estética de Adam Wingard (Você é o próximo) também conta como função que prejudica o desenrolar do filme, contando com transições de cena dignas de um filme para a TV e uma mudança do horror para o humor besteirol que também não ajuda na busca de um tom para o longa, trazendo uma direção que aparenta ser bonita, mas procura ser a mais simples possível numa grande história como a de Death Note. O foco principal do roteiro desde o começo do filme é o fraco romance entre Light e Mia, que pouco representa o peso do poder do Death Note na trama, dando início a “história de amor do casal logo nos primeiros 20 minutos do filme; e outra coisa mostrada é que o roteiro não busca ir ao fundo dos personagens, assim como L não funciona com fidelidade na trama do filme, tirando a principal essência do personagem. A inteligência de L e Kira parece ter sido reduzida para se encaixar nos moldes do thriller policial mais básico que a audiência pode esperar.

O elenco desse filme já não é um ponto negativo dá história. Desde o anuncio de um elenco diversificado e ocidental, muitos desconfiavam da capacidade de atuação do trio de protagonistas do longa, o que não foi algo tão ruim para esses três bons atores que foram prejudicados pelo roteiro. O elenco principal do filme – por Nat Wolff (Cidades de Papel), Keith Stanfield (Straight Outta Compton) e Margaret Qualley (Dois caras Legais) – buscam dar o melhor de si com o material dado, mas não conseguem exercer um certo ápice de suas atuações graça aos aspectos de produção de roteiro e direção geral. Mas isso não é sempre assim no filme, já que, em alguns momentos, o uso de plots-devices ajudam os personagens a surpreenderem em suas atuações, como a atuação de Qualley perto do final do filme. E, sem sombra de dúvidas, um dos melhores personagens do fica por conta do Ryuk de Williem Dafoe (A Última Tentação de Cristo), que mostra o quão arrogante e perverso o personagem é capaz de ser vindo junto das melhores cenas do filme.

Ao todo, Death Note toma diversas liberdades sobre a trama do anime que atrapalham demais no movimento da trama. Por mais que aparente necessário apresentar a história para o novo publico, esse recurso tem de melhorar em se fechar direito em sua trama final e dando mais atenção a um roteiro e direção de qualidade.

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Por YAGO CÂNDIDO

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