Fahrenheit 451 | Crítica

Fahrenheit é uma escala de temperatura utilizada especialmente nos Estados Unidos. A temperatura Fahrenheit 451 é o ponto da queima do papel, que equivale a 233 graus Celsius. Assim, ao queimar um livro, o calor do fogo chega a essa alta marca.

O autor, Ray Bradbury, nascido no estado de Illinois (EUA) em 1920, faleceu em 2012. Bradbury produziu muitas outras obras, de poemas a peças de teatro, várias delas dentro do gênero ficção científica, como As Crônicas Marcianas. A obra mais conhecida dele, no entanto, foi Fahrenheit 451, de 1953. Em 1966 o diretor francês François Truffaut adaptou o romance para o cinema (que terá uma outra adaptação cinematográfica pela HBO em 2018).

Vamos falar do livro? É pequeno. A edição que eu li tem 232 páginas (da Globo de Bolso, 2009). Mas devemos julgar a qualidade e a importância de uma obra pela quantidade de páginas? NÃO! Já digo logo de cara: esse livro é daqueles que mudam a vida e que precisamos ler e reler continuamente, pois novos significados apareceram a cada leitura.

A narrativa trata de uma sociedade (possivelmente os EUA do “futuro”) onde os livros são proibidos e os bombeiros já não apagam o fogo, pois todas as casas são à prova de incêndio, mas possuem outra função bem diferente da que estamos acostumados: os bombeiros queimam livros.

O livro, divido em três partes, segue o bombeiro Guy Montag, que desde um tempo antes do início da narrativa começa a questionar se a queima de livros (e consequentemente todo o sistema social em que vivia) é realmente necessária. Até que uma noite ele conhece uma garota. Clarisse McClellan é seu nome e ela começa a questionar, de uma maneira muito inocente e sensível, as ideias e noções em que girava a vida de Guy.

O objetivo principal do romance não é fazer uma apologia romântica e idealista aos livros e sua importância no mundo, mas sim dizer que livros precisam ser lidos (pensados e criticados) e não só deixados na estante como objetos de decoração ou troféus para exibição. E mais do que os “objetos livros”, o que realmente os torna perigosos são todas as ideias contidas neles. As mensagens que eles passam e que podem ser guardadas na memória e replicadas em nossas falas e atitudes, ou seja, tudo o que nos forma como pessoas.

Nesse sentido, é muito interessante que ao longo do livro e dos embates de Montag, sabemos que a função dos bombeiros queimadores de livros não é muito requisitada, pois as pessoas pararam de ler por conta própria, dando lugar a outro tipo de “entretenimento” que era muito mais fácil de ser absorvido. Essa alienação das pessoas pelas mídias de massa (grande questão dos filósofos da Escola de Frankfurt e de toda a segunda metade do século XX) é um dos principais tópicos de Fahrenheit 451.

O livro entra no subgênero da ficção científica, a distopia, inaugurada pelo romance russo Nós (1924), de Ievgueni Zamiatin, e seguido por Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley e 1984 (1949) de George Orwell. A crítica ao poder estabelecido, ao Estado totalitário, ao mundo que se seguiu aos horrores da Segunda Guerra. Tudo isso está no cerne da obra de Ray Bradbury.

Esse livro já não parece mais ficção científica. Em 2017, com tudo tão “Black Mirror”, só o que está faltando é algum grupo radical (de qualquer lado político-ideológico) achar que é a hora de voltar a queimar livros, pois a queima de livros já aconteceu numerosas vezes na história. Mas o poder de impedir isso está em nossas mãos. Temos que ler mais! Pensar mais! Criticar mais! Se forem começar por algum lado, a minha sugestão é que comecem por Fahrenheit 451 e reflitam sobre tudo o que está contido em suas páginas.

Por: Rui Dias

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