It – A Coisa | Crítica

“Crianças, a ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bem simples: a magia existe”.

É assim que Stephen King dedica um de seus melhores livros a seus filhos, que na época tinham mais ou menos a idade das crianças da história. E do que trata um livro chamado “It/A Coisa”? It é sobre amizade. It é sobre o poder do amor contra o medo e a maldade. It é sobre acreditar que monstros não existem, já que o horror está dentro de cada um, mas estar pronto para enfrentar o monstro quando você acender a luz do banheiro de madrugada e a Coisa estiver te encarando. It é sobre tudo isso e muito mais.

É a segunda vez que It é adaptado para as telas. A primeira, em uma minissérie de dois capítulos para TV que já virou clássico (quem não conhece o Pennywise de Tim Curry?), em 1990. Baseado na obra de 1986 de Stephen King (que levou 4 anos para terminar), que na última edição da Suma tem incríveis 1100 páginas. Essa versão (2h15min) foi dirigida pelo argentino Andy Muschietti (do terror Mama), com roteiro de Chase Palmer, Cary Fukunaga (responsável pela primeira temporada de True Detective) e Gary Dauberman.

It conta a história de uma pequena cidade no Maine, chamada Derry, e da Coisa (Bill Skarsgard) que vive lá. It conta a história de um garoto gago (Bill, interpretado por Jaeden Lieberher), de um garoto míope e falador (Richie, interpretado por Finn Wolfhard), de um garoto gordo (Ben, interpretado por Jeremy Taylor), de um garoto hipocondríaco (Eddie, interpretado por Jack Grazer), de um garoto judeu (Stan, interpretado por Wyatt Oleff), de um garoto negro (Mike, interpretado por Chosen Jacobs) e de uma garota (Bev, interpretada por Sophia Lillis). Todos esses “desajustados” se encontram e formam um laço de amor e amizade que é forte o suficiente para enfrentar a Coisa.

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Uma das coisas mais importantes das histórias do King é a sua capacidade de colocar os sentimentos das crianças e dos jovens em relação ao mundo adulto e todas as pressões que fazem parte dele. A questão da perda de um ente querido, por exemplo, é sentida de maneira diversa por adultos e crianças. Diferentes, nem por isso as crianças sentem menos. Além disso, o fato de que nunca mais se tem amigos como os que tivemos aos 12 anos (questão trabalhada em várias obras de King, como por exemplo, o conto O Corpo, que deu origem ao filme Conta Comigo) e a importância desse tipo de amizade no processo de amadurecimento emocional. Ou seja, o filme, além de terror, é mais um ótimo exemplo do gênero “coming of age”.

O filme é o que se deve esperar do cinema de terror. Bons sustos, ótimo suspense, trilha sonora perfeita, humor bem dosado (com as tiradas maravilhosas de Richie “Trashmouth” Tozier) para aliviar a tensão do clima pesado da história. A trama altera alguns pontos do material original, como a história da família do Mike e o pai do valentão/psicopata Henry Bowers (interpretado por Nicholas Hamilton) ser policial. Além de se passar nos anos 1980 e não na década de 1950 como no livro.

Todas essas modificações são completamente compreensíveis e funcionam muito bem. É, sem sombra de dúvidas, uma das melhores adaptações da obra de Stephen King e um filme excelente. Gostaria de ter ficado mais duas horas no cinema levando sustos e me emocionando com o Loser’s Club. Agora é só controlar a expectativa para a parte 2 ser tão boa quanto essa, que na minha humilde opinião, pode ser chamada também de “Obra-prima do Medo”.

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Por: Rui Dias

 

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