Star Wars: The Last Jedi | Crítica 2

 

Faz quase duas semanas que Star Wars: Os Últimos Jedi (2017, 2h35min) estreou (chegando a mais de 700 milhões de dólares de bilheteria mundial) e eu já fui ver três vezes. Sim, gostei bastante. Gostei mais que O Despertar da Força. Na verdade, a minha lista dos Star Wars preferidos foi atualizada: 1º- Episódio V; 2º – Episódio IV; 3º – Episódio VI e VIII; 4º – Episódio VII. Em 5º entra Rebels, depois Rogue One e na última colocação vem os prequels.

Mas quais os motivos disso, sendo que vários amigos aqui do FUSI (que até têm gostos parecidos) não gostaram de praticamente nada no filme? Vou tentar expor minha opinião nas linhas que se seguem.

Com spoilers.

Algo que eu posso afirmar com toda a minha convicção é que achei esse filme o mais bonito de toda a saga. Várias cenas são verdadeiras obras de arte. Alguns exemplos: toda a primeira batalha, com Poe explodindo os canhões do encouraçado e o sacrifício da Paige no ultimo bombardeiro, me lembrou muito alguns filmes de Segunda Guerra Mundial. O ataque da comandante Holdo à nave do Snoke, ao colocar o cruzador rebelde em velocidade da luz. Aqueles segundos de silêncio, todo aquele visual que ficou parecendo anime…de tirar o fôlego! A cena da luta da Rey e do Kylo Ren contra a guarda pessoal do Snoke. A batalha final no planeta Crait e quando Luke se torna um com a Força, tendo a visão dos dois sóis de Tatooine. Um espetáculo estético.

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Falei um pouco do visual, agora é hora de comentar da história, algo que dividiu opiniões na internet. Muitos criticaram o roteiro de Rian Johnson (que também dirige o longa), por não responder a “mistérios” criados no filme passado por J. J. Abrams, ou resolver questões de maneira “pouco usual”. Não é minha percepção. Cada um dos filmes da saga (sem contar os prequels que foram completamente dominados por George Lucas) tem algo do(s) roteirista(s) e do diretor. As escolhas criativas são deles; podemos concordar ou não. Mas chegar a falar que “Esse filme não é Star Wars!” (e xingar muito no Twitter) é uma besteira.

O filme possui diversos temas e desenvolve vários arquétipos, alguns novos e outros já utilizados em filmes passados. Nos limites desse texto, quero tratar somente dos que considero principais, ou seja, os que envolvem Luke, Leia, Rey e Kylo Ren.

O sabre de luz é um dos maiores símbolos de um Jedi e ao descartar o sabre do Anakin, Luke (esse novo Luke) está fazendo uma declaração de para ele esses simbolos do passado e da Ordem Jedi não interessam mais. O isolamento não é algo inédito entre os Jedi. Nos filmes e no universo expandido isso é algo que vários fazem, por motivos diversos. O “estado de espírito” desse Luke Skywalker tem que ser analisado à luz do contexto do fim da trilogia clássica e tudo que se passou nos 30 anos até O Despertar da Força.

Ao afirmar que ele estava na ilha para morrer e que os Jedi tinham que acabar, o público é apresentado a uma nova camada na complexa personalidade do personagem. Ou seja, ele já não é mais o simples herói que parte na sua jornada em busca da princesa e para derrotar o mal; essa visão é problematizada e desconstruída em partes ao longo do filme. Assim como na luta final contra Darth Vader no Episódio VI (que ele corta uma das mãos de Vader), Luke mais uma vez teve contato com o Dark Side, mas dessa vez na figura de seu sobrinho, Ben Solo. Aí percebemos que o “poderoso sangue Skywalker” tem tendências ao Dark Side.

O próprio Luke admite para a Rey que ele foi arrogante em treinar uma nova geração de Jedi e não perceber a escuridão no herdeiro Skywalker. A tentação do Dark Side, ao pensar em matar o sobrinho, e tudo que se seguiu (a destruição do templo), é motivo forte o suficiente para que Luke se isolar.

Rey, pelo contrário, não sabe nada disso. Na verdade, ela não sabe nada de coisa alguma em relação à Força, em relação aos Jedi e em relação a ela mesma. O objetivo maior e mais difícil no caminho da personagem não é convencer Luke a ajudar a Resistência, mas sim passar pelo processo de autoconhecimento, que passa pelo contato com o outro.

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Kylo Ren é esse outro. “Powerful light, powerful darkness”, como Luke diz a Rey durante a primeira lição na ilha. Conforme a conexão entre os dois vai aumentando, aumenta também a intimidade e a empatia. Acredito que é dessa conexão que faz Kylo tomar a decisão de matar o Snoke e ter visto que eram os pais da Rey. Esse é um dos pontos de debate sobre as decisões que podem ser classificadas como “Fuck you J.J”.

Eu nunca gostei da possibilidade da Rey ser filha de alguém importante na saga; sempre achei que seria uma decisão muito fácil em termos de narrativa. A Força pode despertar em outros seres que não os Skywalkers e isso é sopro de vitalidade para a história, que é exemplificado na cena final com o menino de Canto Bight usando a Força para pegar a vassoura.

Em todo esse complexo processo de isolamento, medo, raiva, autoconhecimento, temos a figura da General Organa, nossa querida Princesa Leia. Admito que toda vez que ela aparecia me dava um nó na garganta, por pensar que a Carrie Fisher não está mais entre nós. A Leia não ter morrido nesse filme pode ser um problema para o próximo, mas acredito que tem maneiras de resolver bem essa questão (em outro texto vou tentar sugerir alguns caminhos para o Episódio IX).

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O filme termina com a conclusão do arco do Luke, em uma das cenas mais emocionantes da saga. Ele por fim entende, depois de mais um ensinamento do mestre Yoda (momento que me pegou completamente de surpresa), que o fracasso é um importante professor e que o Luke real não precisava mais atuar nos desígnios da galáxia, mas seria preciso que a lenda (a projeção de um ideal) do Jedi continuasse inspirando os rebeldes na luta contra a tirania da Primeira Ordem.

Obviamente o filme não é perfeito. Alguns momentos, como Canto Bight, ou alguns personagens, como Finn e Phasma, são problemáticos. No entanto, em todos os filmes da saga existem problemas.

O que importa em Star Wars não é tanto a qualidade cinematográfica, mas sim a Força de suas histórias, a construção de sua mitologia que emociona e transmite ideias complexas de formas simples. E como mitologia, a transformação é necessária, quer você queira ou não. É isso que Os Últimos Jedi deseja provar. Star Wars continua mais vivo e relevante do que nunca!

Rui Dias

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Um comentário em “Star Wars: The Last Jedi | Crítica 2

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