Sobre meninos e lobos

  • Sobre Meninos e Lobos (Mystic River)
  • Ano 2002
  • Autor Dennis Lehane

Hoje eu vou falar de um dos meu livros preferidos, que apesar de ser antiguinho, tem uma história que prende do inicio ao fim.

O livro conta a história de 3 amigos de infância Dave, Jimmy e Sean que após um fato ocorrido em um dos dias de brincadeiras na rua, se distanciam. Anos depois eles se reecontram sob uma circunstancia nada agradável: a morte da filha de Jimmy sendo investigada poe Sean.

Após o inicio das investigações, as suspeitas começam a recair sobre Dave…

Se você gosta de suspense e finais surpreendentes, este é o livro certo para você. Acredito que muitos leitores tenham se tornado fãs do autor por causa deste único livro, pois é brilhante a forma como ele conduz a história. Além da investigação, ele mostra como cada um muda como o passar do tempo e como cada um reage ao fato ocorrido na infância: se tivessem reagido de formas diferentes, será que seriam pessoas diferentes?

Outro ponto alto do livro é a dosagem do suspense que não é dramática e nem exagerada: é na medida certa. O autor consegue unir a história através de elos plausiveis a todo momento.

Este livro foi adaptado para o cinema em 2003, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Sean Penn, Tim Robins e Kevin Bacon.

A adaptação foi fiel a história e rendeu Oscar de Melhor Ator (Sean Penn) e Melhor Ator Coadjuvante (Tim Robbins) dentre as 14 indicações para premiações.

Essa é a dica de hoje pessoal… E vocês, o que recomendam como suspense?

Já leram este livro ou assistiram o filme? Comentem por aqui!!!

Beijos e até a próxima!!!

It – A Coisa | Crítica

“Crianças, a ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bem simples: a magia existe”.

É assim que Stephen King dedica um de seus melhores livros a seus filhos, que na época tinham mais ou menos a idade das crianças da história. E do que trata um livro chamado “It/A Coisa”? It é sobre amizade. It é sobre o poder do amor contra o medo e a maldade. It é sobre acreditar que monstros não existem, já que o horror está dentro de cada um, mas estar pronto para enfrentar o monstro quando você acender a luz do banheiro de madrugada e a Coisa estiver te encarando. It é sobre tudo isso e muito mais.

É a segunda vez que It é adaptado para as telas. A primeira, em uma minissérie de dois capítulos para TV que já virou clássico (quem não conhece o Pennywise de Tim Curry?), em 1990. Baseado na obra de 1986 de Stephen King (que levou 4 anos para terminar), que na última edição da Suma tem incríveis 1100 páginas. Essa versão (2h15min) foi dirigida pelo argentino Andy Muschietti (do terror Mama), com roteiro de Chase Palmer, Cary Fukunaga (responsável pela primeira temporada de True Detective) e Gary Dauberman.

It conta a história de uma pequena cidade no Maine, chamada Derry, e da Coisa (Bill Skarsgard) que vive lá. It conta a história de um garoto gago (Bill, interpretado por Jaeden Lieberher), de um garoto míope e falador (Richie, interpretado por Finn Wolfhard), de um garoto gordo (Ben, interpretado por Jeremy Taylor), de um garoto hipocondríaco (Eddie, interpretado por Jack Grazer), de um garoto judeu (Stan, interpretado por Wyatt Oleff), de um garoto negro (Mike, interpretado por Chosen Jacobs) e de uma garota (Bev, interpretada por Sophia Lillis). Todos esses “desajustados” se encontram e formam um laço de amor e amizade que é forte o suficiente para enfrentar a Coisa.

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Uma das coisas mais importantes das histórias do King é a sua capacidade de colocar os sentimentos das crianças e dos jovens em relação ao mundo adulto e todas as pressões que fazem parte dele. A questão da perda de um ente querido, por exemplo, é sentida de maneira diversa por adultos e crianças. Diferentes, nem por isso as crianças sentem menos. Além disso, o fato de que nunca mais se tem amigos como os que tivemos aos 12 anos (questão trabalhada em várias obras de King, como por exemplo, o conto O Corpo, que deu origem ao filme Conta Comigo) e a importância desse tipo de amizade no processo de amadurecimento emocional. Ou seja, o filme, além de terror, é mais um ótimo exemplo do gênero “coming of age”.

O filme é o que se deve esperar do cinema de terror. Bons sustos, ótimo suspense, trilha sonora perfeita, humor bem dosado (com as tiradas maravilhosas de Richie “Trashmouth” Tozier) para aliviar a tensão do clima pesado da história. A trama altera alguns pontos do material original, como a história da família do Mike e o pai do valentão/psicopata Henry Bowers (interpretado por Nicholas Hamilton) ser policial. Além de se passar nos anos 1980 e não na década de 1950 como no livro.

Todas essas modificações são completamente compreensíveis e funcionam muito bem. É, sem sombra de dúvidas, uma das melhores adaptações da obra de Stephen King e um filme excelente. Gostaria de ter ficado mais duas horas no cinema levando sustos e me emocionando com o Loser’s Club. Agora é só controlar a expectativa para a parte 2 ser tão boa quanto essa, que na minha humilde opinião, pode ser chamada também de “Obra-prima do Medo”.

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Por: Rui Dias

 

Fahrenheit 451 | Crítica

Fahrenheit é uma escala de temperatura utilizada especialmente nos Estados Unidos. A temperatura Fahrenheit 451 é o ponto da queima do papel, que equivale a 233 graus Celsius. Assim, ao queimar um livro, o calor do fogo chega a essa alta marca.

O autor, Ray Bradbury, nascido no estado de Illinois (EUA) em 1920, faleceu em 2012. Bradbury produziu muitas outras obras, de poemas a peças de teatro, várias delas dentro do gênero ficção científica, como As Crônicas Marcianas. A obra mais conhecida dele, no entanto, foi Fahrenheit 451, de 1953. Em 1966 o diretor francês François Truffaut adaptou o romance para o cinema (que terá uma outra adaptação cinematográfica pela HBO em 2018).

Vamos falar do livro? É pequeno. A edição que eu li tem 232 páginas (da Globo de Bolso, 2009). Mas devemos julgar a qualidade e a importância de uma obra pela quantidade de páginas? NÃO! Já digo logo de cara: esse livro é daqueles que mudam a vida e que precisamos ler e reler continuamente, pois novos significados apareceram a cada leitura.

A narrativa trata de uma sociedade (possivelmente os EUA do “futuro”) onde os livros são proibidos e os bombeiros já não apagam o fogo, pois todas as casas são à prova de incêndio, mas possuem outra função bem diferente da que estamos acostumados: os bombeiros queimam livros.

O livro, divido em três partes, segue o bombeiro Guy Montag, que desde um tempo antes do início da narrativa começa a questionar se a queima de livros (e consequentemente todo o sistema social em que vivia) é realmente necessária. Até que uma noite ele conhece uma garota. Clarisse McClellan é seu nome e ela começa a questionar, de uma maneira muito inocente e sensível, as ideias e noções em que girava a vida de Guy.

O objetivo principal do romance não é fazer uma apologia romântica e idealista aos livros e sua importância no mundo, mas sim dizer que livros precisam ser lidos (pensados e criticados) e não só deixados na estante como objetos de decoração ou troféus para exibição. E mais do que os “objetos livros”, o que realmente os torna perigosos são todas as ideias contidas neles. As mensagens que eles passam e que podem ser guardadas na memória e replicadas em nossas falas e atitudes, ou seja, tudo o que nos forma como pessoas.

Nesse sentido, é muito interessante que ao longo do livro e dos embates de Montag, sabemos que a função dos bombeiros queimadores de livros não é muito requisitada, pois as pessoas pararam de ler por conta própria, dando lugar a outro tipo de “entretenimento” que era muito mais fácil de ser absorvido. Essa alienação das pessoas pelas mídias de massa (grande questão dos filósofos da Escola de Frankfurt e de toda a segunda metade do século XX) é um dos principais tópicos de Fahrenheit 451.

O livro entra no subgênero da ficção científica, a distopia, inaugurada pelo romance russo Nós (1924), de Ievgueni Zamiatin, e seguido por Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley e 1984 (1949) de George Orwell. A crítica ao poder estabelecido, ao Estado totalitário, ao mundo que se seguiu aos horrores da Segunda Guerra. Tudo isso está no cerne da obra de Ray Bradbury.

Esse livro já não parece mais ficção científica. Em 2017, com tudo tão “Black Mirror”, só o que está faltando é algum grupo radical (de qualquer lado político-ideológico) achar que é a hora de voltar a queimar livros, pois a queima de livros já aconteceu numerosas vezes na história. Mas o poder de impedir isso está em nossas mãos. Temos que ler mais! Pensar mais! Criticar mais! Se forem começar por algum lado, a minha sugestão é que comecem por Fahrenheit 451 e reflitam sobre tudo o que está contido em suas páginas.

Por: Rui Dias

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A Torre Negra | Crítica

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”.

A frase que define a história dos 7 (principais) livros da Torre Negra. O universo narrativo de Stephen King que ressoa em outros livros e que ele escreveu desde os 19 anos, com o objetivo de ser um “Senhor dos Anéis”, que misturasse fantasia, ficção-científica, horror e western, em um complexo épico envolvendo diversos personagens e tramas, mas que podem ser sintetizados na essência da frase que abre o primeiro livro: “O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”.

O filme, dirigido por Nikolaj Arcel (com roteiro do mesmo e mais três pessoas), não captou essa essência. Não quero acusar o filme de ser uma péssima adaptação, pois os envolvidos no projeto (até o King) enfatizaram que o enredo do filme não seria baseado exclusivamente no primeiro livro da série, chamado O Pistoleiro (lançado em 1982). O objetivo do filme seria contar uma história que fosse algo entre um apanhado de coisas dos livros e uma sequência da saga. Não faz uma coisa, nem outra. Vamos chegar lá.

Como falei, o primeiro livro da série foi lançado no começo da década de 1980 e o King levou quase 30 anos para completar a complexa história com 7 livros. Ele quase morreu (foi atropelado por uma van) antes de terminar os livros e afirma que essa experiência foi um impulso que faltava para finalizar a história de Roland Deschain e seu ka-tet (grupo de amigos/companheiros pistoleiros ligados profundamente pelo Ka, o que pode ser definido rusticamente como “destino”).

A saga da Torre Negra é extremamente vasta, que conecta praticamente todos os livros de Stephen King (dá uma olhada nesse complexo fluxograma que apresenta as conexões das obras do King). Nos 7 livros principais, a história se passa no chamado Mundo Médio e também na nossa realidade. Roland Deschain, o último da linhagem dos pistoleiros de Eld (descendentes de Artur Eld, um reflexo do nosso Rei Artur), tem como objetivo proteger a Torre Negra e matar o Walter das Sombras, o homem de preto. Esse personagem aparece em vários livros do King, com nomes diferentes, mas vilanias parecidas. A função do homem de preto é impedir que Roland alcance a Torre Negra. Temos também o menino Jake Chambers, que aparece e cai no vazio no primeiro livro, dizendo para Roland uma das frases mais impactantes de toda a saga:

“Vá então. Há outros mundos além deste”.

Essa frase também funciona como elo entre todos os livros da Torre Negra.

Ao longo de 7 livros, Roland e Jake se juntam com mais 3 companheiros (Eddie, Susanah e Oy) e se aventuram entre o Mundo Médio e a nossa realidade, encontrando até mesmo o próprio Stephen King no último livro (sim, o autor da saga é um dos personagens essenciais). Eu devorei os livros em um pouco mais de um ano e posso afirmar que foi uma das melhores coisas que eu já li. Tenho o símbolo do Ka tatuado. Resumindo, é uma história importante para mim.

Nesse mundo de adaptações cinematográficas de livros, A Torre Negra não ficaria de fora, ainda mais que os livros de Stephen King foram e são amplamente desejados na seca de boas ideias para o cinema. O projeto de adaptação da obra não é recente, desde o começo dos anos 2000, e já passou pelas mãos de J. J. Abrans e Ron Howard. A partir de 2015, a Sony Pictures assumiu o projeto e colocou o diretor Nikolaj Arcel como responsável por essa tarefa no mínimo espinhosa.

Acho que toda a produção desse filme foi complicada. Passou por refilmagens, o trailer vazou antes da hora, o marketing foi bem atrasado e, na minha opinião, bem fraco. Teve a polêmica do Idris Elba interpretar o Roland, já que Roland é branco de olhos azuis. Não me importo nenhum pouco com isso, ainda mais que o Idris Elba é um dos melhores atores em atividade e a interpretação dele é uma das poucas coisas boas do filme. O homem de preto é interpretado pelo ganhado do Oscar Matthew McConaughey. Nesse caso eu esperava mais. No entanto eu entendo que a atuação caminha junto com o roteiro e as falas do homem de preto são muito caricaturais. Transformaram ele em um vilão completamente unilateral. Todas as nuances do personagem, que repito é um dos melhores criados pelo King, foram eliminadas no filme.

Agora eu retomo o começo da minha crítica. Quando eu vi o primeiro trailer do filme, disse que se a primeira frase não fosse “O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás” eu já ficaria extremamente decepcionado. Foi o que aconteceu. Essa frase é dita sim, logo após a cena de abertura do filme, que não tem nada do home de preto fugindo pelo deserto com o pistoleiro o perseguindo.

Isso pode ser “chatice” de fã? Sim, mas como eu disse lá atrás, essa é a essência da saga. O filme não transmite isso. O filme não tem essência. O filme não sabe o que quer. É uma sequência das histórias dos livros? É um “compilado” dos três primeiros? É algo inteiramente novo, mas com os mesmos personagens e o mesmo cenário?

O filme apresenta muitos outros problemas, que poderia escrever um texto só deles. Até as cenas de ação (o que seria a salvação do filme, se formos ao cinema pelo puro prazer do entretenimento) não são lá essas coisas. A cena do tiroteio no “bar”, apesar de muito bem-feita, não é melhor que a já clássica cena do Matrix em que Neo e Trinity acabam com um bando de soldados. Outra coisa “boa”, mas que não é suficiente: os easter eggs (referências) de outros filmes baseados na obra do King e dos livros da Torre Negra (que não são explicados no filme). Mas eu não vou ver um filme só para procurar referências de outros filmes, certo?

Resumo da ópera: o filme, pensado exclusivamente como filme, é fraco. Quando pensamos nele como uma adaptação de obra literária, o resultado é ainda pior. Talvez a única coisa que podemos tirar de bom desse filme é que mais pessoas terão a oportunidade de saber que o filme é baseado em livros do Stephen King e, com um pouco de vontade (e tempo), algumas dessas pessoas irão atrás para ler a saga e realmente descobrir se o pistoleiro consegue alcançar o homem de preto e o que (ou quem) se encontra na Torre Negra. Esse é o meu desejo.

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Por: Rui Dias

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?|Crítica

Já começo esse texto (minha primeira resenha aqui no Canal FUSI) perguntando para você, caro leitor: já viu um livro com um título tão interessante como esse?! Eu adorei o livro só pelo título e teria ficado com vontade de ler mesmo se não soubesse da importância cultural da obra por ter dado origem ao filme Blade Runner (1982), um clássico da ficção cientifica dirigido por Ridley Scott e estrelado por ninguém menos que Harrison Ford (que terá uma continuação dirigida por Denis Villeneuve, com lançamento previsto para outubro de 2017, chamada Blade Runner 2049).

Para quem não sabe, o autor de Androides sonham com ovelhas elétricas? é o norte-americano (1928-1982) Philip K. Dick. Ele é considerado um dos mais importantes autores de ficção cientifica do século XX. Vários trabalhos dele foram adaptados para cinema, como por exemplo, O Vingador do Futuro com Arnold Schwarzenegger e Minority Report, com Tom Cruise. Existe um livro só com os contos que foram adaptados para o cinema, chamado Realidades Adaptadas. A editora que tem os direitos dos livros dele aqui no Brasil é a Aleph e estão fazendo um ótimo trabalho, tanto na tradução, quanto no projeto gráfico dos livros. Todos dele possuem o mesmo tipo de capa, tipografia e outros elementos que valem cada centavo investido. Além disso ficam lindos na estante e ainda mais lindos depois de lidos. Para conhecerem um pouco mais sobre a obra dele, sugiro um podcast bem bacana que têm sugestões de por quais livros começar a ler Philip K. Dick: https://www.nexojornal.com.br/podcast/2017/07/14/Como-come%C3%A7ar-a-ler-Philip-K.-Dick.

O Androides sonham com ovelhas elétricas? foi escrito em 1968. Esse ano foi bem complexo, para dizer o mínimo. “O ano que não terminou”. Revoltas, revoluções, guerras, paz, amor, músicas, livros. Ideias explodindo cabeças de todas as maneiras possíveis. Esse livro é filho desse contexto histórico, assim como seu autor. “Os homens e mulheres se parecem mais com seu tempo do que com seus pais”, como já dizia meu querido Marc Bloch, historiador francês da primeira metade do século XX.

O livro se passa no fim da Guerra Mundial Terminus e quem podia sair da Terra foi para outros planetas que já podiam ser habitados, tipo Marte. No nosso planeta destruído só ficaram os que não queriam ir e os que não podiam ir. Esses eram divididos em dois grupos: os Normais, que não tinham sido atingidos pelos problemas da radiação; e os Especiais, que foram biologicamente rebaixados de status, mas que ainda conseguiam (um ou outro) sobreviver em meio a Poeira. Essa, algo que acredito ser um resíduo da Guerra, dizimou inúmeras espécies animais e vegetais.

Aí entra a questão das “ovelhas elétricas” do título. O personagem principal, Rick Deckard, caçador de recompensas do departamento de policia de São Francisco, possui uma ovelha elétrica, pois não tem dinheiro suficiente para comprar uma de verdade. Nesse mundo os animais de verdade são extremamente raros e por isso extremamente caros e valorizados.  Deckard cuida muito de sua ovelha elétrica. Não por amor ou algo parecido, mas para que seus vizinhos não descubram que ele possui um animal que não é de verdade. Isso é muito vergonhoso. É interessante notar essa questão da ética com os animais colocada em vários pontos ao longo do livro, outro elemento social que estava cada vez mais em voga no momento em que a obra foi produzida.

Como não podia deixar de ser, existem os androides. Os primeiros são fáceis de diferenciar de nós humanos, mas com o passar do tempo, como sempre acontece, a tecnologia evolui e fica cada vez mais complicado saber quem é quem. É isso que nosso personagem principal faz. Ele identifica por meio de um teste, chamado “escala Voigt-Kampff”, os androides e “aposenta” os andys que vagam pela Terra, pois eles foram feitos para auxiliar os colonos humanos na exploração dos outros planetas.

Para descobrir se um ser é um androide ou um humano, ele aplica um teste para medir diversas reações do “sujeito”. Por meio de diversas questões, várias relacionadas aos animais e várias relacionadas a um dos nossos instintos mais básicos, sexo, ele vai medindo o tempo e a intensidade dessas reações. Mas a principal questão para se diferenciar um humano de um androide é a falta de empatia e compaixão do androide. Dependendo do modelo, como no caso o Nexus-6, ele quase consegue imitar esses sentimentos. Mas o tempo de reação é maior do que no ser humano.

Pela metade do livro, Deckard já começou sua caça aos androides fugitivos que dá a liga ao enredo. A leitura flui muito bem, não era para se esperar menos de uma história dessas. Os personagens são bem construídos, especialmente a dupla de androides que “sobra” na caçada de Deckard: Pris e Roy, interpretados respectivamente no filme de 1982 por Daryl Hannah e Rutger Hauer.

As duas mídias possuem diferenças bem visíveis, mas compreensíveis. No livro, Deckard é casado e sua esposa participa da trama desde o início. O elemento religioso (combinado com o midiático), o Mercerismo, tão importante na obra de Philip K. Dick não aparece no filme. Já no livro, é um campo que permeia toda a narrativa. Outra mudança é em um dos personagens principais de ambas as histórias: J. R. Isidore (livro) e J. F. Sebastian (filme), o elo dos “andys” com a humanidade.

De qualquer maneira, dificilmente a adaptação fica à altura da obra que a originou, apesar de que no caso o filme é excelente. Um dos meus preferidos, com certeza. Se transformou em um clássico, com sua trilha sonora maravilhosa (composta por Vangelis) e clima cyberpunk noir que influenciou diversos filmes posteriormente. Um ponto interessante é que o autor acompanhou o processo de produção do filme na década de 1980. Ele faleceu alguns meses antes do filme ser lançado. Em sua última entrevista ele falou sobre a relação entre as duas obras:

Depois que acabei de ler o roteiro, peguei o livro e dei uma espiada geral no texto. Os dois materiais se reforçam mutuamente. De forma que a pessoa que começasse lendo o livro iria curtir o filme e que quem visse antes o filme iria gostar de ler o livro”.

Eu já assisti o filme várias vezes (em algumas versões diferentes) e gostei muito do livro. Fiz a experiência de assistir logo depois de terminar a leitura e foi muito interessante. As obras se completam, especialmente no sentido do entendimento das questões maiores da história. Para quem gosta do filme, ou para quem gosta de uma boa história, recomendo fortemente esse livro.

Estou bem interessado no que a continuação do Blade Runner poderá mostrar. Só vi o primeiro trailer e umas imagens promocionais, mas gosto de outros trabalhos do diretor (por exemplo, A Chegada) e vou com a mente aberta para o cinema e espero ser positivamente surpreendido.

Fecho a resenha com uma frase do filme, que não tem no livro, mas que acho uma das mais bonitas já escritas e que casa muito bem com o espírito das duas obras:

All those moments will be lost in time, like tears in rain”.

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Por: Rui Dias

 

 

 

 

 

 

13 Reasons Why | Crítica

13 Reasons Why é a nova série da Netflix baseada no best-seller de mesmo nome de Jay Asher que foi lançada no último dia 31 de março.

A trama segue a história de Clay Jensen (Dyllan Minette) que encontra uma caixa com algumas fitas cassetes na porta de sua casa. Nos áudios, Hannah Baker (Katherine Langford) antiga colega e paixão platônica de Clay, lista os treze motivos que a levaram ao suicídio.

Produzida por Selena Gomez e pelo ganhador do Oscar Tom McCarthy (Spotlight), 13 Reasons Why triunfa ao se expandir de forma exuberante a narrativa do livro, permitindo discussões que vão além dos conflitos da protagonista. Na série, a história não é contada de uma lente específica, com indivíduos inteiramente bons ou maus e o público se sente tocado pelas tramas pessoais de cada personagem, mesmo sabendo que eles são as causas pela morte de Hannah, fazendo com que a série use cada episódio para desenvolver um personagem, dando características únicas para cada um deles e, assim, justificando as razões que levaram cada um a agir como agiram.

O elenco da série é bem composto de atores novatos, mas isso não prejudica as atuações tendo destaques para Dylan Minnette, e seus momentos de fúria que mostram camadas emocionais de atuação, e Katherine Langford com suas sutis e impressionantes mudanças de personalidade no decorrer da série.

Com intenções que vão além do entretenimento, 13 Reasons Why destaca temas importantes que justificam sua qualidade, e de certa forma, a série também serve para olharmos melhor aquilo que dizemos, fazendo perceber que um simples gesto ou uma simples fala pode se mostrar de forma catastrófica em outra pessoa.

Por YAGO CÂNDIDO

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Star Wars terá livro com 40 histórias para comemorar seus 40 anos

Você pode não acreditar mas Star Wars começou em 1977 e vai fazer 40 anos em breve. Pensando nisso a Del Ray Books vai lançar um livro para que os fans aprendam mais ainda sobre Star Wars e seu universo com 40 histórias. O livro será realizado com 40 histórias de mais de 40 autores e mostrará personagens que vão desde de pilotos de X-Wings que ajudaram Luke a destruir a Estrela da Morte até Stormtroopers que nunca conseguiram encontrar os droids. O livro deve sair aproximadamente em Outubro. O título do livro é algo como “40 histórias celebrando 40 anos de Star Wars sobre um certo ponto de vista”.

Lembrando que Obi-Wan Kenobi utilizou a frase  “de um certo ponto de vista” para encobrir o fato dele ter mentido para Luke sobre Vader ter traído e matado seu pai.

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Para começar a ler

Sempre que tento lembrar quando comecei a ler, me lembro de alguns livros de infância que lia e relia sem parar. Para inspirar alguns a iniciarem este hábito maravilhoso, seguem alguns de meus primeiros livros:

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O Bichinho da Maça do escritor Ziraldo é bem infantil e com muitas figuras que incentivam as crianças ao hábito da leitura;

tesouro

O Tesouro Perdido do Gigante Gigantesco é uma história mais longa, mas ainda com muitas figuras.

monica

Para quem curte HQ, Turma da Mônica é acessível para todas as idades e acho que isso é o segredo do sucesso: não há idade para se divertir com estes personagens 🙂

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E finalizando a minha nostalgia…A série Vagalume que trouxe muitas histórias de aventura. Eu amava todas e algumas foram até adaptadas para as telinhas, como por exemplo, O Escaravelho do Diabo.

Agora, alguns depoimentos dos integrantes do FUSI:

“Eu não sei qual foi meu primeiro livro, porque leio desde sempre. Lembro de uma coleção que falava dos animais, características, habitat e tal…E alguns da Ruth Rocha!” (Ayra)

“A coleção “E Agora Você Decide” que cada escolha levava para uma página, um RPG da época; Marcelo, Marmelo, Martelo; Rita não Grita; O Gênio do Crime; Trilogia A Hora do Amor” (Gui)

“Eu li Rita não Grita e tive que apresentar com fantoche para minha sala na terceira série. Maior mico (rs) e depois a professora fez eu apresentar para diretora da escola” (Ca Sanchez)

 

 

 

Série “13 reasons why” estreou na Netflix

Para quem leu e para quem não leu o intrigante livro de Jay Asher, Os 13 Porques, vale a pena ver a primeira temporada da série que estreou no último dia 31 na Netflix.

A série (e o livro) relata a história de uma garota que comete suicídio e deixa fitas gravadas com os motivos que a levou ao extremo. O problema é que os motivos têm nome e sobrenome…E podem trazer a tona segredos de muitos alunos de sua escola.

Comparando a trama da telinha com o livro, está muito fiel trazendo apenas uma diferença que neste caso, foi positiva. Ao meu ver, o tema do bulliyng foi explorado com mais riqueza, trazendo os atos inconsequentes dos adolescentes e a repercussão em relação à vida de cada um à sua volta e também dos pais.

Vale a pena assistir e é também um ótimo livro para retomar o hábito de leitura!

A esperança dos homens destruídos: Os Legados de Lorien

Composto por 7 livros principais e 16 e-book’s, a saga Legados de Lorien é ótima para aqueles que gostam das clássicas hitórias de alien refugiados na terra. Escrito pelo pseudônimo de James Frey e Jobie Hughes, Pittacus Lore; a saga foi adaptada para as telonas em 2011, com o mesmo titulo do primeiro livro, “Eu Sou o Número 4“, entretanto, assim como muitas adaptações, o filme não traduz  a obra fielmente e pode até mesmo espantar alguns futuros leitores.

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A muito tempo, o planeta de Lorien foi invadido por morgadorianos, uma raça extremamente agressiva, que se expandia pela galáxia invadindo e destruindo planetas inteiros em busca de recursos, o que fez com que os lorienos tivessem que se preparar com um plano B, enviando 9 crianças e seus cêpans (guardiões) para o plante mais próximo que coincidentemente, assim como todos os alien orfãos de um planeta, era terra. Os anciões de Lorien haviam profetizado que essas 9 crianças iriam destruir todos os morgadorianos e retornariam à Lorien reconstruindo tudo o que fora dizimado, e por isso eles colocaram um feitiço nas crianças onde elas só poderiam morrer em uma ordem númerica, o que deu um breve momento para que os Gardes (crianças) se preparassem para a luta épica que definiria a morte ou a paz de toda uma galáxia.

Eu Sou o Número Quatro“Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes que vocês apenas sonham ter. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes e nos quadrinhos — mas somos reais. Nosso plano era crescer, treinar, ser mais poderosos e nos tornar apenas um, e então combatê-los. Mas eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, todos nós estamos fugindo. O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro. Eu sou o próximo.”

 

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O primeiro livro da saga, eu sou o número quatro, apresenta Jhon Smith, o número quatro, principal alvo dos morgadorianos, já que os números 1,2 e 3 tinham sido mortos. Jhon até então não entendia o mundo de responsabilidade que estava em seus ombros, e não aceitava a vassalagem à uma profecia feita por anciões em um mundo que ele quase não vira a conhecer, ao mesmo tempo em que ele se adapta a terra e acaba se apaixonando por Sarah. Com um ritmo que varia muito entre a tensão de serem mortos, e a frenética luta incessante por alguma forma de, apenas 6 pessoas, derrotarem um império galáctico; um história onde os livros vão amadurecendo junto aos personagens, o que acontece de forma sutil e muito próxima ao real, desmistificando a versão dos homens que nasceram para ser heróis.

A quantidade de personagens torna a saga cada vez mais empolgante, variando em diversas personalidades, desde uma guerreira violenta, estratégica e forte (muito parecido com a mulher maravilha)  a uma garota tímida e recatada de fala baixa e lenta, onde todos são explorados em seu devido tempo, sendo com um e-book próprio ou narrando capítulos da hitória principal. Uma saga que se adapta tento a leitores que gostam de aventura, ação ou uma leitura empolgante que trasborda carisma e descontruções da ideia clássica do herói sem problemas pessoais; uma saga onde a guerra depende de soldados e não de homens indestrutíveis com o peito estufado, onde luta após luta a esperança se esvai e a leitura cativa ainda mais.

Por: J.Kepler