Primeira foto de O Mandaloriano

A produção começou oficialmente na série live-action de Jon Favreau sobre Star Wars, The Mandalorian, e a Lucasfilm lançou a primeira foto oficial. A série será escrita e produzida por Jon Favreau e está confirmado que Dave Filoni (Star Wars: O Guerreiro Clone, Star Wars Rebels) vai dirigir o primeiro episódio!

Outros diretores estão na lista como: Deborah Chow (Jessica Jones), Rick Famuyiwa (Droga), Bryce Dallas Howard (Solemates) e Taika Waititi (Thor: Ragnarok).

Aqui está a sinopse oficial que foi lançada:

Depois das histórias de Jango e Boba Fett, outro guerreiro surge no universo de Star War. O Mandaloriano é definido após a queda do Império e antes do surgimento da Primeira Ordem. Acompanhamos as aventuras de um pistoleiro solitário nos confins da galáxia, longe da autoridade da Nova República.

Confesso que ainda estou receoso. São muitos produtos que a Disney pretende investir e ganhar, mas pode saturar o universo Star Wars. E você o que acha?

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Solo: uma história Star Wars | Crítica

Um dos segredos para aproveitar qualquer coisa da vida é controlar suas expectativas. Isso vai desde aspectos profissionais até amorosos. Não é fácil, mas quando conseguimos pode ser recompensador. Comento sobre isso, pois foi assim que me preparei para ir ao cinema assistir ao novo filme do universo Star Wars, Solo: uma história Star Wars (2h15min).

A produção do filme seguiu a mesma linha do Rogue One, ou seja, com muitos problemas. Os diretores contratados, Phil Lord e Chris Miller (21 Jump Street e Lego Movie) não conseguiram satisfazer as exigências da Lucasfilm e acabaram sendo demitidos com aproximadamente 70% das filmagens concluídas. Para substitui-los, foi escalado Ron Howard, diretor veterano e com bons filmes no currículo (Willow é o meu preferido).

Finalizado o filme, os primeiros trailers foram divulgados, gerando um pouco de “mixed feelings” na maior parte dos fãs. Muito por conta do personagem principal, Han Solo. Ou melhor, por conta do ator que daria vida a um dos personagens mais importantes de Star Wars. A tarefa de Alden Ehernreich (ator pouco conhecido do grande público) não era fácil. Substituir Harrison Ford é praticamente impossível e agradar a maioria dos fãs (que podem ser bem chatos) de Star Wars também.

O filme ainda conta com outros atores muito mais talentosos, como Donald Glover e Woody Harrelson, respectivamente Lando Calrissian (que está muito bom) e Tobias Beckett (o mentor do Han Solo).

Sendo um filme de origem, ele passa por diversos clichês do gênero, chegando ao cumulo de uma cena que se explica o sobrenome Solo pelo falo dele ser…isso mesmo, você acertou, sozinho. Uma das cenas mais esperadas do filme, o encontro entre Han e Chewbacca, é bem interessante e a construção da amizade entre os dois não é muito forçada e se desenvolve bem ao longo da história. Emilia Clarke está relativamente ok como o interesse amoroso, mas não podemos esperar muito dela no filme, infelizmente.

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No fim das contas, a história serve para responder algumas perguntas que ficariam melhor não respondidas. Ou seja, um filme totalmente desnecessário, já que os mistérios envolvendo Han Solo eram elementos inerentes à construção do personagem e de sua função na saga, especialmente nos dois primeiros filmes.

Falando isso, a pergunta que fica é: o filme é bom? Sim, é bom e minimamente divertido, já que poderia ser bem pior. Mas não espere mais nada do que um verdadeiro “entretenimento pipoca”. Vá com o coração aberto, sem grandes expectativas (lembra do começo do texto?) e aproveite para não pensar muito por umas duas horas. Não sai do cinema empolgado, querendo mais daqueles personagens, mas feliz por não ter achado o filme horrível.

Ps: tem um personagem que aparece quase no fim do filme que foi uma surpresa bem agradável, mas ainda não sei como vão utilizá-lo em outras histórias.

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Rui Dias

Star Wars: The Last Jedi | Crítica 2

 

Faz quase duas semanas que Star Wars: Os Últimos Jedi (2017, 2h35min) estreou (chegando a mais de 700 milhões de dólares de bilheteria mundial) e eu já fui ver três vezes. Sim, gostei bastante. Gostei mais que O Despertar da Força. Na verdade, a minha lista dos Star Wars preferidos foi atualizada: 1º- Episódio V; 2º – Episódio IV; 3º – Episódio VI e VIII; 4º – Episódio VII. Em 5º entra Rebels, depois Rogue One e na última colocação vem os prequels.

Mas quais os motivos disso, sendo que vários amigos aqui do FUSI (que até têm gostos parecidos) não gostaram de praticamente nada no filme? Vou tentar expor minha opinião nas linhas que se seguem.

Com spoilers.

Algo que eu posso afirmar com toda a minha convicção é que achei esse filme o mais bonito de toda a saga. Várias cenas são verdadeiras obras de arte. Alguns exemplos: toda a primeira batalha, com Poe explodindo os canhões do encouraçado e o sacrifício da Paige no ultimo bombardeiro, me lembrou muito alguns filmes de Segunda Guerra Mundial. O ataque da comandante Holdo à nave do Snoke, ao colocar o cruzador rebelde em velocidade da luz. Aqueles segundos de silêncio, todo aquele visual que ficou parecendo anime…de tirar o fôlego! A cena da luta da Rey e do Kylo Ren contra a guarda pessoal do Snoke. A batalha final no planeta Crait e quando Luke se torna um com a Força, tendo a visão dos dois sóis de Tatooine. Um espetáculo estético.

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Falei um pouco do visual, agora é hora de comentar da história, algo que dividiu opiniões na internet. Muitos criticaram o roteiro de Rian Johnson (que também dirige o longa), por não responder a “mistérios” criados no filme passado por J. J. Abrams, ou resolver questões de maneira “pouco usual”. Não é minha percepção. Cada um dos filmes da saga (sem contar os prequels que foram completamente dominados por George Lucas) tem algo do(s) roteirista(s) e do diretor. As escolhas criativas são deles; podemos concordar ou não. Mas chegar a falar que “Esse filme não é Star Wars!” (e xingar muito no Twitter) é uma besteira.

O filme possui diversos temas e desenvolve vários arquétipos, alguns novos e outros já utilizados em filmes passados. Nos limites desse texto, quero tratar somente dos que considero principais, ou seja, os que envolvem Luke, Leia, Rey e Kylo Ren.

O sabre de luz é um dos maiores símbolos de um Jedi e ao descartar o sabre do Anakin, Luke (esse novo Luke) está fazendo uma declaração de para ele esses simbolos do passado e da Ordem Jedi não interessam mais. O isolamento não é algo inédito entre os Jedi. Nos filmes e no universo expandido isso é algo que vários fazem, por motivos diversos. O “estado de espírito” desse Luke Skywalker tem que ser analisado à luz do contexto do fim da trilogia clássica e tudo que se passou nos 30 anos até O Despertar da Força.

Ao afirmar que ele estava na ilha para morrer e que os Jedi tinham que acabar, o público é apresentado a uma nova camada na complexa personalidade do personagem. Ou seja, ele já não é mais o simples herói que parte na sua jornada em busca da princesa e para derrotar o mal; essa visão é problematizada e desconstruída em partes ao longo do filme. Assim como na luta final contra Darth Vader no Episódio VI (que ele corta uma das mãos de Vader), Luke mais uma vez teve contato com o Dark Side, mas dessa vez na figura de seu sobrinho, Ben Solo. Aí percebemos que o “poderoso sangue Skywalker” tem tendências ao Dark Side.

O próprio Luke admite para a Rey que ele foi arrogante em treinar uma nova geração de Jedi e não perceber a escuridão no herdeiro Skywalker. A tentação do Dark Side, ao pensar em matar o sobrinho, e tudo que se seguiu (a destruição do templo), é motivo forte o suficiente para que Luke se isolar.

Rey, pelo contrário, não sabe nada disso. Na verdade, ela não sabe nada de coisa alguma em relação à Força, em relação aos Jedi e em relação a ela mesma. O objetivo maior e mais difícil no caminho da personagem não é convencer Luke a ajudar a Resistência, mas sim passar pelo processo de autoconhecimento, que passa pelo contato com o outro.

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Kylo Ren é esse outro. “Powerful light, powerful darkness”, como Luke diz a Rey durante a primeira lição na ilha. Conforme a conexão entre os dois vai aumentando, aumenta também a intimidade e a empatia. Acredito que é dessa conexão que faz Kylo tomar a decisão de matar o Snoke e ter visto que eram os pais da Rey. Esse é um dos pontos de debate sobre as decisões que podem ser classificadas como “Fuck you J.J”.

Eu nunca gostei da possibilidade da Rey ser filha de alguém importante na saga; sempre achei que seria uma decisão muito fácil em termos de narrativa. A Força pode despertar em outros seres que não os Skywalkers e isso é sopro de vitalidade para a história, que é exemplificado na cena final com o menino de Canto Bight usando a Força para pegar a vassoura.

Em todo esse complexo processo de isolamento, medo, raiva, autoconhecimento, temos a figura da General Organa, nossa querida Princesa Leia. Admito que toda vez que ela aparecia me dava um nó na garganta, por pensar que a Carrie Fisher não está mais entre nós. A Leia não ter morrido nesse filme pode ser um problema para o próximo, mas acredito que tem maneiras de resolver bem essa questão (em outro texto vou tentar sugerir alguns caminhos para o Episódio IX).

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O filme termina com a conclusão do arco do Luke, em uma das cenas mais emocionantes da saga. Ele por fim entende, depois de mais um ensinamento do mestre Yoda (momento que me pegou completamente de surpresa), que o fracasso é um importante professor e que o Luke real não precisava mais atuar nos desígnios da galáxia, mas seria preciso que a lenda (a projeção de um ideal) do Jedi continuasse inspirando os rebeldes na luta contra a tirania da Primeira Ordem.

Obviamente o filme não é perfeito. Alguns momentos, como Canto Bight, ou alguns personagens, como Finn e Phasma, são problemáticos. No entanto, em todos os filmes da saga existem problemas.

O que importa em Star Wars não é tanto a qualidade cinematográfica, mas sim a Força de suas histórias, a construção de sua mitologia que emociona e transmite ideias complexas de formas simples. E como mitologia, a transformação é necessária, quer você queira ou não. É isso que Os Últimos Jedi deseja provar. Star Wars continua mais vivo e relevante do que nunca!

Rui Dias

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Mudanças sobre a Força em Star Wars: The Last Jedi

Vamos analisar alguns aspectos da Força no novo filme de Star Wars: The Last Jedi. Portanto este texto contém SPOILERS. Leia a crítica do filme clicando aqui.

1. Truque de mente

Em Star Wars Uma Nova Esperança, Obiwan explica para Luke que é possível utilizar a Força para enganar as pessoas que tem mentes fracas. Pois bem, como Luke conseguiu enganar todos com sua projeção mental incluindo Kylo Ren? Teoricamente ele poderia ter mecanismos de identificar que estava sendo trapaceado.

2. Jedis fantasmas

Quando Obiwan aparece para Luke em o Retorno de Jedi, ele dá conselhos para Luke e só. Em The Last Jedi tanto a projeção de Luke como um raio que Yoda evoca do céu aparentam ser resultados de potencia máxima, mas eles modificam radicalmente a forma como pensamos ser os usuários da Força.

3. Projeção de Luke

Yoda ficou recluso em Dagobah pois o planeta era um canal para a Força. O que permitiu que Luke se projetasse em uma distância tão grande? Ele estava influenciando as mentes de todos os presentes ou realmente  transformando a realidade? E o que o matou? A tensão da projeção era demais, ou a Kylo de alguma maneira era verdadeiro? O filme não oferece respostas concretas, o que é uma grande saída da trilogia prequel, que tentou oferecer uma explicação para tudo. Mas tem pessoas que amaram e outras que odiaram isso.

Em The Last Jedi, a compreensão da Força fica aberta a interpretações, o que é louvável perto da trilogia prequel. E abre um leque de opções para novas maneiras de utilizá-la quando Yoda deixa e ajuda Luke a queimar os conhecimentos antigos. É como se estivesse negando o passado para iniciar uma nova geração.

Star Wars: The Last Jedi | Crítica

A Força é algo que realmente nos surpreendeu nos filmes de Star Wars. Na trilogia clássica foi o que impulsiona Luke Skywalker em sua jornada até conseguir salvar seu pai. Já na trilogia prequel podemos ver a Força como condutora de Anakin Skywalker e sua decadência para o Lado Negro. Por fim temos agora a nova trilogia em que mostra Rey, poderosa e misteriosa protagonista. Em The Last Jedi a Força está tão cheia de novos truques e uma gama de possibilidades superficiais que acabam caindo no vazio do óbvio tornando o filme desinteressante.

Se prepare para ter algumas respostas sobre os mistérios desta nova trilogia. Mas a escolha narrativa é lenta inicialmente e cheia de mecanismos superficiais, ficamos com aquela sensação de que o filme não tem coragem de fazer uma escolha e se prepare para a famosa enrolação.

O filme quer que você esqueça conceitos que tem sobre alguns personagens e simplesmente aceite os novos rumos narrativos. Mas não foi executado de maneira convincente. É muito difícil acreditar o que estamos vendo em alguns momentos.  Algumas piadinhas iniciais não funcionam. Conceitos e personagens criados em O Despertar da Força, são ignorados ou tratados de forma simples, quase que por obrigação. Agora está claro porquê querem J. J. Abrams novamente no próximo episódio da saga.

As câmeras lentas chegaram em Star Wars. Vou pegar leve aqui pois foram apenas duas cenas rápidas. Mas incomodaram. Incomodaram muito.

Existem escolhas muito ruins no filme em alguns cenários. Me permitam desabafar, mas nos apresentaram um planeta que funciona como se fosse “Las Vegas”, um cassino. E não é que eles utilizaram várias referências terráqueas? Fichas de apostas, mesas de poker, Máquinas de azar, baralhos e até estouram uma champanhe. Onde está aquela sensação de ver algo diferente da nossa lógica? De ver algo que não seja possível explicar, que seja tão estranho e alcance a percepção que estamos realmente em uma galáxia muito distante?

A distância com os filmes clássicos é alta em termos de qualidade narrativa. Ainda que exista muitas referências da primeira trilogia, isso agrada momentaneamente pois somos jogados para a realidade simplória com alguns novos personagens que não convencem. Existe uma tentativa de conflitos entre aliados, algo inédito, mas é pura miragem simplória. Não há profundidade.

As cenas das batalhas das naves chegam a ser melhores que as cenas de lutas de sabre de luz, o que já mostra um baita demérito do filme. Existem alguns acertos, poucos, mas bem feitos: o cenário final e climax são interessantes (bela fotografia) e existe uma cena específica com Leia que é realmente inovadora e bela.

Mas vou confessar uma coisa para você: eu já assisti todos os filmes de Star Wars mais de uma vez no cinema. Todos. Este é o único que eu não quero rever. Entendo a proposta do filme, inclusive ele sempre está se justificando no discurso de Luke, mas mesmo ouvindo a voz da sabedoria que aparece em um momento nostálgico,  não é possível torcer e ficar satisfeito com os caminhos da força neste capítulo da saga.

Mauris Poggio

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